Uma enfermeira de 36 anos registrou boletim de ocorrência na Delegacia da Mulher de Parnaíba, contra um médico por crimes de assédio moral e sexual, praticados dentro do Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (Heda), durante os plantões.
Em depoimento a Polícia Civil, a vítima relatou que os assédios iniciaram em março quando o médico fazia convites vexatórios durante os plantões no Heda.
“Ele dizia: vamos ali fumar, curte fumar a dois. Eu dizia para ele me respeitar, que era mulher casada, mãe e que iria notificar o fato à coordenação do hospital”, disse a vítima à Polícia.
A advogada Helen Daniele, que faz defesa da vítima, disse que mesmo com as denúncias, o médico continuava com os assédios.
A situação piorou quando em um plantão, no dia 28 de março, o médico após atendimento a um paciente relatou em um prontuário que ela foi negligente. A enfermeira contou que provou para ele que tinha feito todos os procedimentos corretos, pediu para ele mudar o prontuário e que estava fotocopiando as provas quando o mesmo encostou nela, apertando sua genitália contra ela.
“O que mais me dói de tudo isso, além do abuso sexual é ele tentar me causar um dano, escrevendo no prontuário do paciente mentindo que pratiquei uma negligência que nunca existiu. Isso é gravíssimo”, disse a vítima.
A advogada informou que a enfermeira está bastante abalada, tomando medicação para se acalmar. Com a denúncia, ela chegou a ser demitida do Heda, mas após conversar com a direção, ela foi recontratada por apenas seis meses.
“Ela é uma enfermeira competente com 11 anos de profissão sem nenhuma negligência e o médico de forma vingativa quer puni-la por ela não aceitar seus assédios. Vamos em todas as instâncias para denunciar esses assédios”, disse a advogada.
A direção do Heda divulgou nota afirmando que abriu sindicância para apurar a denúncia.
Veja nota:
O Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (HEDA) informa que tomou conhecimento de denúncia envolvendo suposto caso de assédio moral e sexual no âmbito da unidade.
A Direção do hospital esclarece que o caso foi imediatamente encaminhado ao Comitê de Ética, que já iniciou o processo de apuração, conduzido com responsabilidade, imparcialidade e respeito ao devido processo legal. Estão sendo ouvidas todas as partes envolvidas, incluindo testemunhas, a fim de garantir a completa elucidação dos fatos.
Ressaltamos que todo o processo tramita sob sigilo, em conformidade com a legislação vigente, especialmente no que diz respeito à proteção das partes envolvidas e à preservação de informações sensíveis.
O HEDA reafirma seu compromisso com a manutenção de um ambiente de trabalho ético, seguro e respeitoso, não tolerando qualquer tipo de conduta inadequada. Todas as medidas cabíveis serão adotadas conforme o resultado da apuração.
Fonte: Cidadeverde.com
